Arquivo Histórico2013

Usina Fotovoltaica SunEdison–Petrobras: Marco Histórico de 2013

Análise do contexto e significado do projeto pioneiro de geração solar em instalação industrial de grande porte no Brasil.

Por Equipe Editorial – Arquivo Solar BrasilÚltima atualização: Agosto 2026

Contexto Histórico

Em 2013, o cenário da energia solar no Brasil era radicalmente diferente do atual. A Resolução Normativa ANEEL nº 482/2012, que estabeleceu as bases para a geração distribuída, havia sido publicada há menos de um ano. O mercado fotovoltaico brasileiro era praticamente inexistente em termos de capacidade instalada conectada à rede.

Nesse contexto, projetos de demonstração em instalações de grandes empresas desempenhavam papel importante na validação da tecnologia e na construção de confiança no setor. A iniciativa da maior petroleira do país de construir geração solar junto a uma de suas usinas termelétricas representava símbolo significativo da transição energética em curso.

O Comunicado Original de 16 de Março de 2013

Em 16 de março de 2013, a SunEdison — então subsidiária da MEMC Electronic Materials (NYSE:WFR) — anunciou em São Paulo a assinatura de um acordo com a Petrobras para construir uma das maiores usinas fotovoltaicas do Brasil à época. O comunicado, publicado originalmente na sala de imprensa deste site sob o título “SunEdison e Petrobras assinam acordo para construir uma das maiores usinas fotovoltaicas do Brasil”, detalhava:

  • Local: Alto do Rodrigues, Rio Grande do Norte, em terreno adjacente à Usina Termelétrica Jesus Soares Pereira, da Termoaçu S.A. (acionista majoritário: Petrobras);
  • Capacidade instalada: 1,1 MW, com geração estimada de 1,65 GWh por ano, destinada ao Sistema Interligado Nacional (SIN);
  • Tecnologia: 3.672 módulos fotovoltaicos multicristalinos Silvantis™ de 290 W, montados sobre rastreadores solares A90 projetados pela própria SunEdison;
  • Emissões evitadas: cerca de 380 toneladas de carbono por ano (na comparação com geração a gás natural);
  • Enquadramento: iniciativa liderada pela Petrobras dentro do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da ANEEL, incluindo uma usina-modelo experimental de 10 kW no Laboratório de Eletrônica de Potência e Energias Renováveis da UFRN, em parceria com o CTGAS-ER de Natal (RN).

“Estamos contentes em colaborar com a Petrobras, empresa de energia líder no Brasil, nesse ambicioso projeto de Pesquisa e Desenvolvimento da ANEEL, cujo objetivo é facilitar o desenvolvimento da energia solar e o crescimento da indústria fotovoltaica no país.”
— Pancho Pérez, gerente geral da SunEdison para EMEA, América Latina e Norte da Ásia, no comunicado de 2013.

Características do Projeto

A usina utilizou tecnologia fotovoltaica de silício cristalino, predominante à época e até hoje. Com 1,1 MW de potência, o projeto era significativo para os padrões brasileiros do período — cerca de 50 pessoas trabalharam na construção — embora modesto comparado às usinas de dezenas e centenas de megawatts que se tornariam comuns anos depois.

A instalação demonstrou a viabilidade técnica de integrar geração solar ao parque gerador existente, ao lado de uma termelétrica em operação, com seus requisitos específicos de qualidade de energia, disponibilidade e segurança operacional.

Significado para o Setor

Projetos pioneiros como este cumpriram função importante na história do setor solar brasileiro. Ao demonstrar que grandes empresas investiam em energia solar, ajudavam a legitimar a tecnologia perante investidores, reguladores e opinião pública.

A associação entre empresas do setor de energia fóssil e projetos de energia renovável também sinalizava o início de uma transição que se intensificaria nos anos seguintes, com petroleiras diversificando portfolios para incluir fontes limpas.

Evolução Posterior

Na década seguinte, o mercado brasileiro de energia solar cresceu exponencialmente. O que em 2013 era projeto de demonstração noticiável tornou-se prática comum em instalações industriais, comerciais e residenciais por todo o país.

Empresas de todos os portes passaram a adotar geração solar como estratégia de redução de custos energéticos e compromisso ambiental. O setor que se desenvolvia tímidamente em 2013 emprega hoje centenas de milhares de profissionais e movimenta bilhões em investimentos anuais.

Para empresas que buscam implementar soluções de energia solar atualmente, o caminho está consolidado com tecnologia madura, regulamentação estabelecida e cadeia de fornecedores estruturada. Ferramentas de simulação de energia solar por cidade permitem estimar potência, geração e retorno em poucos minutos.

Lições Históricas

A análise de projetos pioneiros permite compreender a trajetória de amadurecimento do setor. Os custos de instalação em 2013 eram significativamente superiores aos atuais, tornando necessários incentivos, projetos demonstrativos e visão de longo prazo por parte dos investidores.

A persistência de empresas, desenvolvedores e formuladores de políticas públicas durante esse período formativo foi essencial para construir o mercado robusto que existe hoje. O Brasil partiu de posição retardatária e alcançou protagonismo global em poucos anos.